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Andropausa e reposição de testosterona: quando existe indicação médica

A andropausa, nome popular da disfunção androgênica do envelhecimento masculino, é a queda gradual da testosterona que pode ocorrer com a idade. Quando há sintomas e confirmação laboratorial, o quadro é chamado de hipogonadismo e tem tratamento: a reposição de testosterona, eficaz e segura quando há indicação, e um dos tratamentos mais prescritos sem ela no Brasil, o que gerou tanto excesso quanto medo desnecessário em torno do assunto.

O que é andropausa e com que idade começa

Diferente da menopausa, a andropausa não acontece com todos os homens nem tem um marco definido. A produção de testosterona começa a cair de forma lenta a partir dos 30 e poucos anos, mas a velocidade e o impacto variam muito de pessoa para pessoa. Muitos homens chegam aos 70 anos com níveis normais; outros apresentam sintomas bem antes dos 50.

Por isso não existe uma idade em que se deva "tratar a andropausa". O que existe é uma condição, o hipogonadismo, que se confirma com sintomas somados a exame, em qualquer idade.

Sintomas de andropausa e testosterona baixa

Os sintomas são inespecíficos, o que significa que podem ter várias causas e nenhum deles isolado fecha diagnóstico:

  • Queda de libido
  • Disfunção erétil
  • Cansaço persistente que não melhora com descanso
  • Perda de massa muscular e força
  • Aumento de gordura corporal, especialmente abdominal
  • Alteração de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração
  • Perda de densidade óssea
  • Redução de pelos corporais

Vale a observação: sono ruim, depressão, obesidade, uso de certos medicamentos e doenças crônicas produzem exatamente esse quadro com testosterona normal. Tratar hormônio nesses casos não resolve o problema, só adia a identificação dele.

Como se faz o diagnóstico

O diagnóstico exige duas coisas ao mesmo tempo: sintomas compatíveis e testosterona total baixa confirmada em pelo menos duas dosagens, colhidas pela manhã, quando os níveis são mais altos. Como referência, as diretrizes internacionais adotam valores de corte entre 300 e 350 ng/dL (sociedades americana e europeia, respectivamente), sempre interpretados junto com o quadro clínico.

Uma dosagem isolada não basta. Um valor no limite inferior, em homem assintomático, também não é indicação de tratamento.

A investigação segue com FSH, LH e prolactina, que distinguem se o problema está no testículo ou no comando hipofisário, além de hemograma, PSA e perfil metabólico. E busca causas reversíveis antes de repor: apneia do sono, obesidade, uso de opioides ou corticoides, entre outras condições associadas avaliadas caso a caso.

Homem maduro, pensativo, sentado à beira da cama

Antes de tratar: a conversa sobre fertilidade

A testosterona administrada de fora suprime a produção natural do organismo e, com ela, a produção de espermatozoides. Em homens em idade reprodutiva, a reposição pode causar redução importante da fertilidade, e em alguns casos essa supressão não é totalmente reversível após a suspensão.

Se você pretende ter filhos

Isso precisa ser conversado antes de iniciar qualquer reposição, e existem alternativas terapêuticas que elevam a testosterona sem suprimir a produção espermática. É uma das informações mais importantes desta página, e uma das que mais frequentemente deixa de ser dada.

Formas de tratamento e acompanhamento

Existem apresentações injetáveis de diferentes durações e formas transdérmicas. A escolha considera perfil de níveis, praticidade e sua preferência.

O que todas exigem é o mesmo: acompanhamento. Reposição não é prescrever e revisar em um ano. É monitorar níveis, hematócrito, PSA e resposta clínica em intervalos regulares, a cada dois ou três meses no início do tratamento. Esse acompanhamento é parte do tratamento, não um adicional.

O que a reposição trata, e o que ela não é

Com indicação correta, há melhora consistente de libido, energia, massa muscular, densidade óssea e humor, e o efeito sobre saúde óssea em homens que envelhecem é um tema sobre o qual publiquei, com o achado de que a testosterona é apenas uma parte de um quadro maior, que envolve composição corporal, atividade física e estado metabólico.

O que a reposição não é: não é tratamento de emagrecimento, não é recurso de desempenho esportivo, não é protocolo de longevidade e não é solução para cansaço sem investigação. Nessas aplicações, além de não haver indicação, há risco, e é justamente esse uso, feito fora do contexto médico, que gerou a má fama do tratamento entre quem realmente precisa dele.

Avaliação e acompanhamento por telemedicina

A avaliação inicial, a interpretação de exames e o acompanhamento periódico podem ser feitos por telemedicina, o que resolve bem a necessidade de revisões frequentes.

Se você ainda não investigou, o ponto de partida costuma ser uma avaliação de rotina da saúde do homem.

Perguntas frequentes

Repor testosterona causa câncer de próstata?

Não há evidência de que a reposição em homens com hipogonadismo cause câncer de próstata. Essa associação vinha de estudos antigos e foi revista pela literatura das últimas décadas. O que se mantém é a necessidade de avaliação prostática antes de iniciar e de acompanhamento durante o tratamento.

Reposição de testosterona deixa infértil?

Pode reduzir de forma importante a produção de espermatozoides, e em alguns casos a recuperação após a suspensão é incompleta. Por isso, homens que pretendem ter filhos devem discutir alternativas antes de iniciar.

Chip da beleza é reposição hormonal?

Não. Os implantes vendidos com essa finalidade costumam conter hormônios em doses e combinações sem indicação médica estabelecida, sem monitoramento adequado, e são frequentemente aplicados sem diagnóstico de deficiência. Isso não é tratamento de hipogonadismo.

O que é andropausa?

"Andropausa" é o nome popular da disfunção androgênica do envelhecimento masculino: a queda gradual da testosterona que pode ocorrer com a idade. Diferente da menopausa, não acontece com todos os homens nem tem um marco definido, e só tem indicação de tratamento quando há sintomas e confirmação laboratorial.

Com que idade começa a andropausa?

Não há uma idade fixa. A produção de testosterona cai lentamente a partir dos 30 e poucos anos, mas o ritmo varia muito. Alguns homens têm sintomas antes dos 50; outros chegam aos 70 com níveis normais. O que define não é a idade, é a combinação de sintomas com exame alterado.

Qual o valor normal de testosterona?

As diretrizes internacionais usam cortes entre 300 e 350 ng/dL como referência para testosterona total, mas o número isolado não fecha diagnóstico: ele precisa ser confirmado em segunda dosagem matinal e interpretado junto com os sintomas e o restante da investigação.

Vou precisar tomar para sempre?

Depende da causa. Quando há um fator reversível, apneia, obesidade, medicação, o tratamento dele pode restabelecer os níveis. No hipogonadismo primário estabelecido, o tratamento costuma ser contínuo, com acompanhamento periódico.

Minha testosterona está no limite. Devo tratar?

Valor limítrofe em homem sem sintomas não é indicação de tratamento. Com sintomas, a investigação busca outras causas e repete a dosagem antes de decidir.

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