O que é andropausa e com que idade começa
Diferente da menopausa, a andropausa não acontece com todos os homens nem tem um marco definido. A produção de testosterona começa a cair de forma lenta a partir dos 30 e poucos anos, mas a velocidade e o impacto variam muito de pessoa para pessoa. Muitos homens chegam aos 70 anos com níveis normais; outros apresentam sintomas bem antes dos 50.
Por isso não existe uma idade em que se deva "tratar a andropausa". O que existe é uma condição, o hipogonadismo, que se confirma com sintomas somados a exame, em qualquer idade.
Sintomas de andropausa e testosterona baixa
Os sintomas são inespecíficos, o que significa que podem ter várias causas e nenhum deles isolado fecha diagnóstico:
- Queda de libido
- Disfunção erétil
- Cansaço persistente que não melhora com descanso
- Perda de massa muscular e força
- Aumento de gordura corporal, especialmente abdominal
- Alteração de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração
- Perda de densidade óssea
- Redução de pelos corporais
Vale a observação: sono ruim, depressão, obesidade, uso de certos medicamentos e doenças crônicas produzem exatamente esse quadro com testosterona normal. Tratar hormônio nesses casos não resolve o problema, só adia a identificação dele.
Como se faz o diagnóstico
O diagnóstico exige duas coisas ao mesmo tempo: sintomas compatíveis e testosterona total baixa confirmada em pelo menos duas dosagens, colhidas pela manhã, quando os níveis são mais altos. Como referência, as diretrizes internacionais adotam valores de corte entre 300 e 350 ng/dL (sociedades americana e europeia, respectivamente), sempre interpretados junto com o quadro clínico.
Uma dosagem isolada não basta. Um valor no limite inferior, em homem assintomático, também não é indicação de tratamento.
A investigação segue com FSH, LH e prolactina, que distinguem se o problema está no testículo ou no comando hipofisário, além de hemograma, PSA e perfil metabólico. E busca causas reversíveis antes de repor: apneia do sono, obesidade, uso de opioides ou corticoides, entre outras condições associadas avaliadas caso a caso.
Antes de tratar: a conversa sobre fertilidade
A testosterona administrada de fora suprime a produção natural do organismo e, com ela, a produção de espermatozoides. Em homens em idade reprodutiva, a reposição pode causar redução importante da fertilidade, e em alguns casos essa supressão não é totalmente reversível após a suspensão.
Se você pretende ter filhos
Isso precisa ser conversado antes de iniciar qualquer reposição, e existem alternativas terapêuticas que elevam a testosterona sem suprimir a produção espermática. É uma das informações mais importantes desta página, e uma das que mais frequentemente deixa de ser dada.
Formas de tratamento e acompanhamento
Existem apresentações injetáveis de diferentes durações e formas transdérmicas. A escolha considera perfil de níveis, praticidade e sua preferência.
O que todas exigem é o mesmo: acompanhamento. Reposição não é prescrever e revisar em um ano. É monitorar níveis, hematócrito, PSA e resposta clínica em intervalos regulares, a cada dois ou três meses no início do tratamento. Esse acompanhamento é parte do tratamento, não um adicional.
O que a reposição trata, e o que ela não é
Com indicação correta, há melhora consistente de libido, energia, massa muscular, densidade óssea e humor, e o efeito sobre saúde óssea em homens que envelhecem é um tema sobre o qual publiquei, com o achado de que a testosterona é apenas uma parte de um quadro maior, que envolve composição corporal, atividade física e estado metabólico.
O que a reposição não é: não é tratamento de emagrecimento, não é recurso de desempenho esportivo, não é protocolo de longevidade e não é solução para cansaço sem investigação. Nessas aplicações, além de não haver indicação, há risco, e é justamente esse uso, feito fora do contexto médico, que gerou a má fama do tratamento entre quem realmente precisa dele.
Avaliação e acompanhamento por telemedicina
A avaliação inicial, a interpretação de exames e o acompanhamento periódico podem ser feitos por telemedicina, o que resolve bem a necessidade de revisões frequentes.
Se você ainda não investigou, o ponto de partida costuma ser uma avaliação de rotina da saúde do homem.
Perguntas frequentes
Repor testosterona causa câncer de próstata?
Não há evidência de que a reposição em homens com hipogonadismo cause câncer de próstata. Essa associação vinha de estudos antigos e foi revista pela literatura das últimas décadas. O que se mantém é a necessidade de avaliação prostática antes de iniciar e de acompanhamento durante o tratamento.
Reposição de testosterona deixa infértil?
Pode reduzir de forma importante a produção de espermatozoides, e em alguns casos a recuperação após a suspensão é incompleta. Por isso, homens que pretendem ter filhos devem discutir alternativas antes de iniciar.
Chip da beleza é reposição hormonal?
Não. Os implantes vendidos com essa finalidade costumam conter hormônios em doses e combinações sem indicação médica estabelecida, sem monitoramento adequado, e são frequentemente aplicados sem diagnóstico de deficiência. Isso não é tratamento de hipogonadismo.
O que é andropausa?
"Andropausa" é o nome popular da disfunção androgênica do envelhecimento masculino: a queda gradual da testosterona que pode ocorrer com a idade. Diferente da menopausa, não acontece com todos os homens nem tem um marco definido, e só tem indicação de tratamento quando há sintomas e confirmação laboratorial.
Com que idade começa a andropausa?
Não há uma idade fixa. A produção de testosterona cai lentamente a partir dos 30 e poucos anos, mas o ritmo varia muito. Alguns homens têm sintomas antes dos 50; outros chegam aos 70 com níveis normais. O que define não é a idade, é a combinação de sintomas com exame alterado.
Qual o valor normal de testosterona?
As diretrizes internacionais usam cortes entre 300 e 350 ng/dL como referência para testosterona total, mas o número isolado não fecha diagnóstico: ele precisa ser confirmado em segunda dosagem matinal e interpretado junto com os sintomas e o restante da investigação.
Vou precisar tomar para sempre?
Depende da causa. Quando há um fator reversível, apneia, obesidade, medicação, o tratamento dele pode restabelecer os níveis. No hipogonadismo primário estabelecido, o tratamento costuma ser contínuo, com acompanhamento periódico.
Minha testosterona está no limite. Devo tratar?
Valor limítrofe em homem sem sintomas não é indicação de tratamento. Com sintomas, a investigação busca outras causas e repete a dosagem antes de decidir.