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Reversão de vasectomia: como funciona e quais as chances

A reversão de vasectomia é a cirurgia microcirúrgica que restabelece o trajeto dos espermatozoides, religando os ductos deferentes que foram seccionados. É um procedimento estabelecido e com boas taxas de sucesso, desde que a expectativa esteja calibrada pelos fatores que realmente determinam o resultado, e o principal deles é o tempo.

Quem procura

Homens que mudaram de planos: novo relacionamento, decisão de ter mais filhos, ou, nas situações mais difíceis, perda de um filho. Também há quem procure por dor crônica pós-vasectomia, uma indicação menos comum e diferente.

Não há julgamento envolvido nessa conversa. Mudar de ideia sobre ter filhos é comum e legítimo.

As duas técnicas

O tipo de cirurgia não é escolhido antes: é definido durante o procedimento, a partir da análise do líquido coletado do ducto no momento.

Vasovasostomia
Religação direta entre as duas extremidades do ducto deferente. É o cenário mais favorável e o mais frequente.
Vasoepididimostomia
Conexão do ducto deferente diretamente ao epidídimo, necessária quando há obstrução secundária no epidídimo, algo mais provável quanto mais tempo passou desde a vasectomia. É tecnicamente mais complexa e tem taxas de sucesso menores.

Por isso a cirurgia deve ser feita por quem domina as duas técnicas: se apenas a primeira estiver disponível e o achado intraoperatório indicar a segunda, o procedimento fica comprometido.

Ilustração de espermatozoides em direção ao óvulo

O que determina a taxa de sucesso

O tempo desde a vasectomia é o fator mais importante. As taxas de restabelecimento da passagem de espermatozoides (patência) são altas nos primeiros anos e caem progressivamente conforme o intervalo aumenta, principalmente porque cresce a chance de obstrução secundária no epidídimo.

Outros fatores: a técnica usada na vasectomia original, a presença de granuloma, a idade e a avaliação de fertilidade da parceira.

Patência não é gravidez

É possível restabelecer a passagem de espermatozoides e ainda assim não haver gravidez, porque isso depende também da qualidade dos espermatozoides recuperados e do quadro do casal, especialmente a idade da parceira. A cirurgia não garante gravidez, e quem promete isso não está sendo honesto com você.

A alternativa: recuperação com reprodução assistida

Em vez da reversão, é possível recuperar espermatozoides diretamente por punção e usá-los em fertilização assistida.

A escolha entre as duas rotas depende do tempo desde a vasectomia, da idade e da avaliação da parceira, de quantos filhos o casal deseja e da preferência de vocês. A reversão permite gravidez natural e mais de uma gestação sem novos procedimentos. A recuperação é menos invasiva mas depende de fertilização assistida a cada tentativa. Essa comparação é parte da consulta.

Cirurgia e pós-operatório

Procedimento microcirúrgico, com anestesia e duração de algumas horas. Retorno às atividades habituais em poucos dias e restrição de esforço físico e atividade sexual por algumas semanas.

O controle é feito com espermograma alguns meses depois, a recuperação dos parâmetros é gradual e pode levar meses, o que significa que um primeiro exame sem espermatozoides não é conclusão definitiva.

Perguntas frequentes

Fiz vasectomia há muitos anos, ainda dá para reverter?

Tecnicamente sim, e reversões são realizadas com sucesso mesmo após longos intervalos. O que muda é a chance: quanto mais tempo passou, maior a probabilidade de ser necessária a técnica mais complexa e menores as taxas de sucesso. A avaliação estima isso no seu caso.

Qual a chance real de engravidar depois da reversão?

Restabelecer a passagem de espermatozoides é mais provável do que a gravidez em si, e as duas coisas não devem ser confundidas. A chance de gravidez depende também da qualidade dos espermatozoides e, de forma importante, da idade e da avaliação da parceira.

É melhor reverter ou fazer fertilização?

Depende do tempo desde a vasectomia, da avaliação do casal e de quantos filhos vocês pretendem. A reversão permite gravidez natural e gestações futuras sem novo procedimento; a recuperação com fertilização é menos invasiva mas depende do tratamento a cada tentativa.

A reversão dói? Quanto tempo de recuperação?

O desconforto é controlado com medicação e o retorno às atividades habituais ocorre em poucos dias, com restrição de esforço e atividade sexual por algumas semanas.

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