Para quem é indicada
O implante entra em cena quando há disfunção erétil que não respondeu ao tratamento clínico: medicações orais sem efeito suficiente, terapia intracavernosa sem resposta ou não tolerada.
Situações em que costuma ser considerada mais cedo: disfunção erétil grave após cirurgia de próstata, quadros de origem vascular ou neurológica avançada, e casos de doença de Peyronie com curvatura importante somada a disfunção erétil, em que a cirurgia corrige as duas coisas.
Não é indicada para quem tem resposta satisfatória a tratamentos menos invasivos, nem para finalidades estéticas ou de aumento.
O que a prótese resolve e o que ela substitui
A prótese devolve a capacidade de ter relações sexuais com penetração. Sensibilidade, orgasmo e ejaculação não dependem dos corpos cavernosos e permanecem preservados, essa é a dúvida mais frequente na consulta, e a resposta é que o prazer continua o mesmo.
O que muda
O dispositivo ocupa o espaço do tecido erétil. Se a prótese precisa ser removida, a ereção natural residual não retorna. É uma decisão irreversível, e é por isso que ela vem depois das outras, e não antes.
Tipos
- Inflável (de três volumes)
- Cilindros nos corpos cavernosos, uma bomba no escroto e um reservatório de líquido. Você aciona a bomba para obter a ereção e desativa depois. É a que oferece o resultado mais próximo do natural em rigidez e em aparência no repouso. Mais complexa e com mais componentes.
- Maleável (semirrígida)
- Hastes flexíveis posicionadas manualmente. Mais simples, sem componentes mecânicos, com menor chance de falha mecânica. O pênis permanece firme, o que exige acomodação na roupa.
A escolha considera destreza manual, cirurgias prévias na região, condições clínicas e a sua preferência depois de entender as duas.
A cirurgia e a recuperação
Procedimento realizado com anestesia, geralmente com internação curta. A dor no pós-operatório imediato é esperada e controlada com medicação, com melhora progressiva ao longo das primeiras semanas. É uma cirurgia que exige treinamento específico, área em que me atualizei em treinamento nos Estados Unidos em 2026.
O retorno à atividade sexual ocorre habitualmente entre quatro e seis semanas, após a liberação na consulta de revisão e o treinamento de uso do dispositivo, no caso da prótese inflável. O prazo exato depende da evolução individual.
Riscos reais
Três riscos precisam ser conhecidos antes da decisão, e nenhum deles é eliminado por técnica ou por dispositivo:
- Infecção
- É a complicação mais temida, porque frequentemente exige a retirada do dispositivo. As taxas atuais em implantes primários situam-se entre 1 e 3%, e caíram de forma significativa com os dispositivos revestidos, há revestimentos com antibiótico e revestimentos hidrofílicos preparados no momento da cirurgia, mas o risco não é zero, e é maior em pacientes com diabetes descompensado e em reoperações. É um dos temas sobre os quais publiquei.
- Falha mecânica
- Próteses são dispositivos e têm vida útil. Ao longo dos anos, pode haver falha de componentes, com necessidade de troca cirúrgica.
- Necessidade de revisão
- Além da falha mecânica, podem ocorrer mau posicionamento, erosão ou insatisfação com o resultado, situações que exigem nova cirurgia.
Como é a avaliação
A conversa antes da indicação é a parte mais importante desse processo. Ela envolve confirmar que os tratamentos anteriores foram adequadamente tentados, revisar as condições clínicas que aumentam risco, alinhar expectativas sobre o resultado e, quando possível e desejado, incluir a parceria na conversa.
A avaliação inicial pode ser feita por telemedicina. A indicação cirúrgica exige exame presencial.
Perguntas frequentes
Depois do implante eu sinto prazer normalmente?
Sim. A sensibilidade do pênis, o orgasmo e a ejaculação não dependem dos corpos cavernosos, que é onde a prótese é implantada. Essas funções permanecem como eram antes da cirurgia.
A cirurgia dói muito? Quanto tempo de recuperação?
Há dor nos primeiros dias, controlada com medicação, com melhora progressiva ao longo das semanas seguintes. O retorno à atividade sexual costuma ocorrer entre quatro e seis semanas, após liberação em consulta.
E se a prótese quebrar, dá para trocar?
Sim. A troca é possível e é um procedimento previsto. Próteses têm vida útil e a possibilidade de revisão ao longo dos anos faz parte da decisão desde o início.
Minha parceria vai perceber que é uma prótese?
A prótese inflável, quando desativada, deixa o pênis com aparência e consistência próximas do estado natural em repouso. A maleável mantém firmeza constante, o que é perceptível. Muitos pacientes preferem conversar abertamente sobre o implante com a parceria, e isso costuma ser conduzido na consulta.
Posso fazer a prótese só para aumentar o tamanho?
Não. A prótese é indicada para tratar disfunção erétil que não respondeu a outros tratamentos. Ela não aumenta o pênis. Na maioria dos casos, o comprimento em ereção fica ligeiramente menor do que era antes do surgimento da disfunção.