Como se manifesta
Costuma começar com dor durante a ereção e a percepção de um caroço ou endurecimento na haste. A curvatura aparece em seguida e pode acentuar-se ao longo de meses.
A doença tem duas fases. Na fase aguda ou inflamatória, que dura em média de seis a dezoito meses, há dor e a curvatura ainda está mudando. Na fase crônica ou estável, a dor cessa e a deformidade se fixa. Essa distinção não é detalhe técnico: ela determina o tratamento, porque operar durante a fase ativa não é indicado.
Cerca de metade dos homens com Peyronie apresenta também dificuldade de ereção, seja por alteração vascular na região da placa, seja pela ansiedade que o quadro gera.
Por que acontece
O mecanismo mais aceito envolve microtraumas repetidos durante a relação sexual, que em pessoas predispostas desencadeiam uma cicatrização anormal. Não é infecção, não é câncer e não é consequência de comportamento sexual, pontos que valem ser ditos porque estão entre as preocupações mais frequentes na consulta.
Há associação com diabetes, tabagismo, doença de Dupuytren e com cirurgia prévia de próstata.
Avaliação
Exame físico com a placa palpada e medida, e documentação objetiva do grau de curvatura, geralmente com fotografia em ereção induzida ou com ultrassom peniano. A medida importa: a conduta muda conforme o ângulo, e "parece muito torto" não é um critério clínico.
Esta é uma das condições que exigem etapa presencial. A consulta por vídeo serve para a primeira avaliação, a orientação e a definição do que investigar.
Tratamento: o que existe e o que cada opção alcança
- Fase aguda
- O foco é controlar a dor e acompanhar a progressão, e é preciso ser honesto sobre as opções: a terapia intraplaca com eficácia demonstrada não está disponível no Brasil, e as demais injeções aprovadas não mostraram eficácia consistente. O que tem papel nessa fase é a tração peniana, para reduzir o impacto da curvatura em formação, e as ondas de choque, eficazes somente para a dor. Nem todo caso na fase aguda precisa de intervenção, parte estabiliza com curvatura funcionalmente aceitável.
- Fase estável, sem prejuízo funcional
- Se a curvatura não impede a relação e não incomoda, a conduta pode ser apenas acompanhamento. Nem todo grau de curvatura tem indicação cirúrgica, e operar sem necessidade funcional expõe você a riscos sem benefício correspondente.
- Fase estável, com prejuízo funcional
- Aí há indicação cirúrgica, e as técnicas variam conforme o grau de curvatura e a qualidade da ereção. Todas têm riscos que precisam ser conversados antes: a correção pode causar encurtamento peniano e alteração de sensibilidade. Quando há disfunção erétil grave associada, a prótese peniana pode ser a opção que resolve as duas coisas ao mesmo tempo, com a combinação de prótese inflável e enxerto para curvaturas graves, técnica que demonstrei em vídeo científico publicado no The Journal of Urology.
Perguntas frequentes
Minha curvatura é grave? Preciso operar?
A gravidade é definida pelo ângulo medido, pela dor e principalmente pelo impacto na função. Curvaturas que não impedem a relação frequentemente não têm indicação cirúrgica. A decisão depende de avaliação com medida objetiva, não da impressão visual.
Vou perder tamanho se operar?
Algumas das técnicas cirúrgicas encurtam o pênis, e é uma possibilidade real que deve ser conversada antes da cirurgia. A escolha da técnica leva isso em conta, junto com o grau de curvatura e a qualidade da ereção.
Isso pode piorar com o tempo?
Na fase aguda, sim, é justamente por isso que não se opera nessa fase. Depois da estabilização, a curvatura tende a se manter. Uma parte dos casos melhora espontaneamente, mas não é a maioria.
Pênis torto sempre é doença de Peyronie?
Não. Existe a curvatura congênita, presente desde o início da vida sexual, sem placa e sem dor, com abordagem diferente. A distinção é feita no exame.