Quando é motivo de avaliação
Episódios isolados acontecem com qualquer homem, em qualquer idade, e costumam estar ligados a cansaço, álcool, ansiedade ou a um momento específico. Não caracterizam disfunção erétil.
A avaliação faz sentido quando a dificuldade é recorrente e se mantém por alguns meses, ou quando houve uma mudança clara em relação ao que era habitual para você. Não existe idade em que a dificuldade passe a ser "normal" e deva ser aceita sem investigação. O que existe é uma frequência maior com o avanço da idade, o que é diferente.
O que causa
A ereção depende de um conjunto que envolve vasos, nervos, hormônios e estado emocional. A causa raramente é única.
- Vascular
- A mais frequente a partir da meia-idade. As artérias penianas são finas e costumam ser as primeiras a mostrar sinais de alteração circulatória. Por isso, a impotência pode ser o primeiro sinal de um problema cardiovascular que ainda não deu outros sintomas, e essa é a razão pela qual a avaliação inclui pressão, glicemia e perfil lipídico.
- Hormonal
- Testosterona baixa e alterações de tireoide ou prolactina.
- Neurológica
- Diabetes de longa data, cirurgia pélvica prévia, lesão medular.
- Medicamentosa
- Anti-hipertensivos, antidepressivos e outros fármacos de uso contínuo têm efeito conhecido sobre a ereção. Frequentemente há alternativa.
- Psicogênica
- Ansiedade de desempenho, depressão, questões do relacionamento. Comum em homens mais jovens e, quase sempre, somada a algum componente físico e não isolada dele.
Como é feito o diagnóstico
A consulta começa pelo histórico: há quanto tempo, em que situações, se houve mudança súbita ou gradual, se as ereções noturnas e matinais permanecem, esse último dado ajuda a distinguir causa física de psicogênica.
A partir daí, exames laboratoriais (hormonais e metabólicos) e, quando indicado, o Doppler peniano com fármaco-indução, exame que também realizo: ele avalia a resposta vascular do pênis em condições controladas. O objetivo não é confirmar que existe dificuldade, isso você já sabe. É identificar o mecanismo, porque o tratamento correto depende dele.
Tratamentos disponíveis, e o que cada um resolve
- Mudança de hábitos e controle de fatores de risco
- Atividade física, controle de pressão e glicemia, redução de álcool e cessação do tabagismo têm efeito real e mensurável sobre a função erétil. É a base de qualquer tratamento, não uma recomendação genérica.
- Medicações orais (inibidores de PDE5)
- Os comprimidos conhecidos popularmente como "pílula azul" ou "azulzinho". São eficazes e seguros para a maioria dos homens, mas não funcionam para todos: até 50% dos pacientes podem não alcançar resposta satisfatória, e essa proporção é maior quando o componente vascular ou neurológico é importante. Exigem prescrição e avaliação, especialmente em quem usa nitratos.
- Terapia intracavernosa
- Medicação aplicada diretamente no corpo cavernoso, indicada quando os orais não funcionam ou não podem ser usados. É altamente eficaz, com taxas de sucesso acima de 85%, inclusive em quem não respondeu aos comprimidos, mas enfrenta barreiras práticas e psicológicas que fazem muitos pacientes desistirem antes de tentar. É um tema sobre o qual publiquei.
- Ondas de choque de baixa intensidade
- A evidência ainda está em consolidação. Os resultados variam entre pacientes e não são permanentes. Pode ser uma opção em casos selecionados, mas não é o tratamento definitivo que a divulgação comercial frequentemente sugere.
- Prótese peniana
- Indicada quando os tratamentos anteriores não funcionaram. É a opção com maior índice de satisfação entre as disponíveis e, ao mesmo tempo, é irreversível: o implante substitui o tecido erétil, e a ereção natural residual não retorna caso a prótese seja removida. Por isso é uma decisão tomada depois das outras, não antes.
Como é o acompanhamento
O primeiro tratamento escolhido nem sempre é o definitivo, e ajustes de dose, troca de classe e reavaliação fazem parte do processo. A avaliação inicial e o acompanhamento podem ser feitos por telemedicina.
Perguntas frequentes
Isso tem cura ou vou precisar tomar remédio para sempre?
Depende da causa. Quando há um fator reversível, hormonal, medicamentoso ou de hábitos, o tratamento pode ser temporário. Quando a causa é vascular estabelecida, costuma ser um manejo contínuo, e não um tratamento com data para acabar. Essa resposta só é possível depois da investigação.
Remédio para ereção faz mal ao coração?
Os inibidores de PDE5 são considerados seguros do ponto de vista cardiovascular na maioria dos pacientes, incluindo muitos com doença cardíaca estável. A contraindicação importante é o uso concomitante de nitratos. Quem tem doença cardíaca deve ter a indicação avaliada individualmente.
Posso usar esses medicamentos tendo pressão alta ou diabetes?
Na maioria dos casos, sim, e são justamente esses os pacientes que mais frequentemente apresentam a queixa. A avaliação verifica interações com o que você já usa e a estabilidade do quadro.
Ondas de choque realmente funcionam?
Há evidência de benefício em casos selecionados, mas ela ainda está em consolidação, os resultados variam bastante entre pacientes e não são permanentes. Não é um tratamento capaz de substituir a investigação da causa.
Com que idade isso passa a ser normal?
Em nenhuma. A frequência aumenta com a idade, mas isso não significa que a dificuldade deva ser aceita sem avaliação em qualquer fase da vida.